Aplicativo identifica potenciais pontos de alagamento na cidade

Aplicativo identifica potenciais pontos de alagamento na cidade

As cenas se repetem todos os anos em Belo Horizonte e em diversos municípios brasileiros. Nas primeiras chuvas do verão, vários pontos de alagamento se formam na cidade criando imagens de desespero à medida em que carros e casas são destruídos pela água e, em muitos casos, vidas são levadas pela correnteza.

Para ajudar a amenizar os prejuízos sócio-econômicos causados pelas inundações, a célula de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) da OneForce desenvolveu, em apenas três meses de trabalho, um aplicativo capaz de alertar a população sobre áreas que devem ser evitadas devido à alta probabilidade de serem atingidas por enchentes.

“O projeto foi todo desenvolvido dentro da plataforma IBM Bluemix e envolveu a criação de uma API que utilizar métodos de aprendizado de máquina”, antecipa o Consultor de Engenharia de Software e Líder da iniciativa de P&D da OneForce, Tiago Moura.

O primeiro desafio foi levantar dados históricos de precipitação e casos de enchentes para serem utilizados no aprendizado de máquina (machine learning). Somente com essas informações, seria possível treinar um algoritmo que ensinaria o programa a identificar situações que poderiam culminar em inundações.

“A máquina aprende, a partir de eventos e experiências anteriores, a antecipar futuras ocorrências. E à medida em que novas situações acontecem ela aperfeiçoa essa habilidade”, explica Tiago.

Para conseguir os dados, a equipe formada pelos alunos do curso de Ciência da Computação do UniBH Vitor Moura Silva, Guilherme Alberto de Moraes, Jackson Smith Moisés Matias e Fábio Lacerda Henriques, recorreu a órgãos norte-americanos já que, no Brasil, as informações não foram disponibilizadas.

“Coletamos junto à Agência Federal de Gerenciamento de Emergências (FEMA) alguns dados históricos de desastres ambientais ocorridos nos Estados Unidos”, explica Vitor. “Recorremos a outro órgão norte-americano para levantar o volume de chuva e a data em que ocorreram. Cruzamos então os dados para fazer a relação entre precipitação e o registro de desastres ambientais que envolveram enchentes”, acrescenta Vitor.

SENSORES DE PRECIPITAÇÃO

Protótipo de pluviômetro criado por alunos da Uni-BH em parceria com a OneForce

Protótipo de pluviômetro criado por alunos da Uni-BH em parceria com a OneForce

Com os dados em mãos, a equipe precisava de um pluviômetro para registrar a incidência de chuva. “Criamos então um pluviômetro digital. Se for instalado em pontos estratégicos da cidade, ele irá coletar os dados de precipitação e, por meio de uma conexão com a internet, os enviará para o programa. Esses dados serão então processados para definir as chances de ocorrer uma enchente naquele local e, se for o caso, será emitido um sinal de alerta aos usuários do aplicativo próximos à região”, detalha Guilherme.

PROJETO PROMISSOR

Parte de um projeto de iniciação científica, a pesquisa iniciada dentro da OneForce tem potencial para sair do papel e beneficiar a população brasileira. “Em primeiro lugar, precisaríamos contar com a parceria do poder público para fornecer dados nacionais. Mesmo com informações de fora, alcançamos uma acurácia de 70%”, afirma Tiago.

Sensores digitais para coletar outros dados como nível dos rios e quantidade de água nas câmeras de esgoto da cidade, permitiriam antecipar, com cada vez mais antecedência, os potenciais episódios de enchente.

“Hoje, apenas com o pluviômetro, esse alerta seria dado poucos minutos antes da inundação. Mas sabemos que as enchentes são silenciosas e começam a se configurar antes. Se pudermos coletar dados que estejam relacionados aos primeiros sinais de alagamento, as pessoas terão mais tempo para reagirem e se protegerem”, reconhece Tiago.

Vitor apresentou o projeto no evento Projeto de Saberes realizado pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP)

Vitor apresentou o projeto no evento Projeto de Saberes realizado pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP)

APLICATIVO EM TEMPO RECORDE

Para Vitor e Guilherme, a agilidade de desenvolvimento do aplicativo e de toda a pesquisa só foi possível devido às facilidades que a plataforma IBM Bluemix oferece aos programadores. “Não tivemos que nos preocupar com questões como ambiente, máquina, sistema operacional, servidor e outras questões de infraestrutura. A plataforma se encarrega de tudo, nos deixando livres para fazer o que realmente importa que é o desenvolvimento da aplicação”, afirma Guilherme.

“Certamente essa facilidade nos fez economizar muito tempo. Nossa maior preocupação foi realmente coletar os dados, criar o pluviômetro digital, treinar a solução implementada e fazer os testes”, acrescenta Vitor.

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