Agile: mais do que práticas, uma mudança de cultura

Agile: mais do que práticas, uma mudança de cultura

Por Tiago Moura, Consultor de Engenharia de Software da OneForce

Quando as perguntas “o que” e “como” surgem antes de “porque”, estamos em um cenário de alerta para o Agile. Alerta porque trata-se de um sinal muito claro de que as pessoas estão mais preocupadas com o processo em si do que necessariamente com os objetivos da mudança. Estão mais focadas nos meios e não verdadeiramente nos fins.

Mais do que metodologias ou frameworks baseados em práticas e processos, o Agile requer das equipes um olhar, uma postura e até abordagens aderentes para que possa trazer os resultados almejados – entre eles, alta performance, qualidade e redução dos ciclos de entrega.

É o chamado “agile mindset” ou a mentalidade que gira em torno da cultura ágil. A autora Susan Mcintosh detalha neste artigo os fatores que considera essenciais para uma verdadeira mentalidade ágil. Entre eles estão: respeito; colaboração; ciclos de aprendizado e melhoria; orgulho de propriedade; foco na qualidade das entregas e a habilidade de adaptação às mudanças.

Considerando os fatores citados, é possível perceber que, mais do que uma virada profissional, implantar uma cultura ágil requer mudanças profundas que extrapolam o ambiente empresarial e atingem em cheio a rotina de vida das pessoas. Afinal, colaborar e buscar ciclos constantes de melhoria e crescimento devem fazer parte de quem você é como ser humano e não apenas de quem é quando está com um crachá no peito.

TRANSFORMAÇÃO X ADOÇÃO

Não é por acaso que as discussões sobre o tema ressaltam a importância de se pensar em “transformação” e não exclusivamente em “adoção”. Quando as empresas restringem o Agile à mera implantação de processos dentro da rotina de trabalho, está fadada a enfrentar dificuldades que podem colocar em xeque a eficácia da própria metodologia.

A principal delas seria a resistência provocada pela cultura empresarial vigente que, muitas vezes, não é compatível com os 12 princípios previstos no manifesto ágil. É preciso fazer uma avaliação profunda do cenário atual da empresa inclusive para definir qual framework será melhor incorporado pelas equipes.

A adoção de práticas como Scrum, XP, SAFe e Kanban, por exemplo, não pode ser baseada exclusivamente em preferência ou fatores como custo e metas. No livro “Transformação e adoção Agile – Um Guia de Sobrevivência”, o autor Michael Sahota detalha como as diferentes culturas empresariais requerem abordagens distintas para aumentar as probabilidades de sucesso de um framework ágil.

Michael divide a cultura empresarial em 4 modelos: de colaboração; de controle; de cultivo e de competência. E, para cada caso, ele indica uma abordagem.

Vamos voltar a falar desse tema futuramente. O que quisemos mostrar aqui é que ser ágil requer muito mais do que mudanças na rotina dos processos. Exige alinhamento com a cultura atual, transformação das equipes, mudança das prioridades e da forma como as lideranças se posicionam e até uma nova configuração e imagem do ambiente de trabalho.

Em geral, empresas que seguem nessa linha incorporam uma postura mais aberta, menos hierárquica, jovem, moderna e porque não “cool”. Criam ambientes de interação e de compartilhamento, áreas de reflexão e estímulo à criatividade e abertura para novas ideias e contribuições de todos os lados.

Trata-se, portanto, de um ecossistema que beneficie a adoção de PRINCÍPIOS BÁSICOS da cultura ágil.

Neste artigo do Instituto Gartner, são listados 5 fatores importantes para guiar a empresa rumo à uma cultura ágil:

  1. Pessoas acima dos processos – os profissionais têm liberdade para se auto-organizar de acordo com objetivos e capacidades comuns
  2. Dinamismo acima de documentação – iterações rápidas, dinâmicas e em constante adaptação não podem estar amparadas por documentações
  3. Colaboração acima de um processo cascateado – não importa o cargo e as tarefas de cada um, todos podem contribuir para o resultado final
  4. Liderança acima de gerenciamento – os líderes são facilitadores e devem contribuir para a definição dos problemas que devem ser resolvidos, deixando a cargo dos profissionais apontarem como isso será feito
  5. Adaptação acima do prescrição – nada de questionar “por que algo não pode ser feito”. A pergunta que cabe neste caso é: “como pode ser feito”.

Vamos falar mais sobre a cultura ágil em matérias futuras e detalhar como as empresas podem passar por esse processo de transformação. Continue acompanhando o nosso blog.

 

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